MORREU GENERAL EPALANGA : NOTA DE CONDOLÊNCIAS

NOTA DE CONDOLÊNCIAS
(pelo falecimento do general Samuel Martinho Epalanga)

Foi com profunda surpresa e consternação que a Direcção da UNITA tomou conhecimento da triste notícia da morte do General Samuel Martinho Epalanga, que desde muito cedo se juntou ao movimento nacionalista angolano.

O general Samuel Martinho Epalanga nasceu a 28 de Maio de 1943, na localidade de Tchikala-Tcholohanga, província do Huambo. Fez os seus primeiros estudos na Missão Evangélica do Dondi e mais tarde na cidade do Huambo, onde acumulou os estudos com a sua primeira profissão nas Oficinas Gerais do Caminho de Ferro de Benguela (CFB).

Devido às perseguições da PIDE, em 1965, muito embora já tivesse feito a inspecção militar para o seu ingresso nas Forças Armadas Portuguesas, na companhia dos seus amigos Severino Sawenda e Mateus Katalaio, Samuel Martinho Epalanga encetou fuga do Huambo para a então República do Congo Belga - Zaire, com a colaboração do seu tio Mário Kamalata Satoñole.

Transpuseram a fronteira sob muitos riscos, mas chegaram a Lubumbashi, então República do Zaire, onde ouviram falar pela primeira vez do projecto político do Dr. Jonas Savimbi, tendo tido o primeiro contacto com a bandeira e o ideário do Galo Negro.

Depois de contactados pelo Dr. Jonas Malheiro Savimbi, através de Maria Caetano, o General Epalanga e o General Severino Sawenda partiram para a Zâmbia, onde encontraram alguns dos Comandantes da UNITA treinados na República Popular da China.

O General Samuel Epalanga fez parte de um grupo de 50 elementos recrutados pelo Dr. Savimbi para os treinos na China, cuja partida não se veio a concretizar devido à prisão do Presidente Fundador determinada em 1967 pelas autoridades zambianas, como reacção aos ataques da guerrilha da UNITA ao CFB.

Enquanto durou o exilio de 9 meses do Dr. Jonas Savimbi no Cairo, o General Samuel Epalanga trabalhou na mobilização dos angolanos radicados na fronteira do Zaire e da Zâmbia, ao mesmo tempo que colaborava de forma clandestina na aquisição de armamento e munições.

Em 1968, integrou a comitiva do Dr. Savimbi da Zâmbia para o interior de Angola, tendo sido nomeado, após um treino militar, Comandante da guerrilha em Lumai, Província do Moxico.

Em 1969, o General Samuel Epalanga recebeu a missão de desmantelamento dos FLECHAS, uma milícia portuguesa com que Tiago Sachilombo, desertor da UNITA, trabalhava na desmobilização das populações para desarticular as bases da UNITA. Nesse mesmo ano foi nomeado Comandante da Zona de Chatuika. Em 1971, foi nomeado Comandante da Zona Zero e Chefe da Emigração.

A 14 de Junho de 1974, na localidade de Cangumbe, província do Moxico, o General Epalanga fez parte da delegação da UNITA presidida pelo Dr. Savimbi que assinou o acordo de suspensão de hostilidades com a delegação portuguesa.

Nesse mesmo ano, o General Samuel Epalanga foi enviado pelo Dr. Jonas Savimbi ao Huambo, para a mobilização das populações para a nova etapa política do país. Encetou contactos com várias individualidades do Huambo e do Bié, cujo resultado se reflectiu na apoteótica e jamais vista recepção do Dr. Jonas Malheiro Savimbi.
Com a deterioração da situação político-militar do país, face a invasão de Angola pelas forças cubanas, o General Samuel Epalanga foi Comandante das Forças Militares da UNITA (FALA) na Frente do Huambo, até à queda da cidade a 8 de Fevereiro de 1976.

Em 1976, na sequência da retirada da UNITA das grandes cidades, o General Epalanga estabeleceu a sua base de guerrilha na região do Kuito Kuanavale. Foi através dele que o Dr. Jonas Malheiro Savimbi procedeu aos primeiros contactos com o Comando das forças sul-africanas baseadas na Namíbia. Foi Comandante da Região Militar 17, com base central no Chissombo.

Em 1980, nos primórdios do surgimento da Jamba, o General Samuel Martinho Epalanga foi chamado para ajudar na organização do que veio a ser a Capital das Terras Livres de Angola, respondendo pela Direcção Geral de Pessoal do Comando Operacional Estratégico (COPE).

Exerceu as funções de Director da Brigada Nacional de Defesa do Estado e de Secretário dos Recursos Naturais. Em 1995, foi transferido da Jamba para o Bailundo, onde exerceu as suas funções, até 1999, em que reacendeu o conflito militar.

O General Samuel Martinho Epalanga foi um homem de profundas convicções políticas, exímio cumpridor de missões, fiel ao Partido e à sua Direcção, sendo este um dos principais legados que deixa para a juventude angolana. Faleceu no dia 19 de Maio de 2018, deixando filhos, netos e bisnetos.

Nesta hora de dor e de muita tristeza, em nome dos militantes do Partido, a Direcção da UNITA curva-se perante a memória do malogrado General Samuel Martinho Epalanga e apresenta à família enlutada as suas mais profundas condolências, augurando que a sua alma descanse em paz.

Luanda, 22 de Maio de 2018
O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política
PRISÃO PARA A ARRAIA MIÚDA E LIBERDADE PARA OS KAMBAS LADRÕES DE BILIÕES ??

JLo contra a Corrupção: Cadeia para a Arraia-Miúda

Por : Rafael Marques de Morais

Desde que assumiu o poder, em Setembro de 2017, o presidente João Lourenço tem sido coerente e consequente nos seus discursos contra a corrupção. Todavia, a prática tem demonstrado que o poder judicial é exercido com dois pesos e duas medidas, de acordo com critérios políticos, sobre os casos de corrupção que tem em mãos.

A corrupção está absolutamente institucionalizada em Angola e é fruto das práticas continuadas de pilhagem desenfreada do país a que os próprios dirigentes do MPLA se entregaram de corpo e alma, e com espírito de missão. Muitos angolanos se têm perguntado como pode João Lourenço combater a corrupção sem efectivamente mandar para a cadeia grande parte dos seus próprios camaradas.

Ao longo destes oito meses em que Lourenço desempenhou as funções da presidência, vários são os processos legais por corrupção intentados contra servidores públicos. Há uma primeira nota de realce sobre esses casos: os gestores públicos com responsabilidades baixas ou intermédias que são suspeitos de descaminhos ou do recebimento de comissões em kwanzas têm vindo a ser imediatamente punidos com prisão preventiva. Mexer em kwanzas dá logo cadeia. Pelo contrário, quando se trata de muitos milhões de dólares, a liberdade é garantida.

Há dois casos paradigmáticos que aqui reportamos. Primeiro, o de Nickolas Gelber Neto, ex-administrador da Administração Geral Tributária, suspeito de ter recebido uma comissão de 24 milhões de kwanzas, e que se encontra detido há sete meses, em prisão preventiva. A juíza obrigou-o a devolver o dinheiro de modo a ser possível conceder-lhe a liberdade condicional, Neto cumpriu o pedido, mas a verdade é que continua na cadeia.

O segundo caso é o de Edson Vaz, ex-director nacional do Tesouro (Ministério das Finanças), e de Stianeth Couceiro (do Governo Provincial de Luanda), ambos suspeitos de associação criminosa, entre outros crimes, no desvio de sete mil milhões de kwanzas dos cofres do Governo Provincial de Luanda. Os conhecedores dos meandros da operação sabem que a mesma envolve o ministro das Finanças, Archer Mangueira, e o então governador de Luanda e actual vice-presidente da Assembleia Nacional, general Higino Carneiro, que terão emitido as “ordens superiores”. Resultado: Vaz e Couceiro, os dois suspeitos intermédios, foram detidos em Novembro passado e libertados seis meses depois.

Esses dois casos são, por si só, indiciadores de duas conclusões importantes. Quanto mais se rouba ou se desvia do Estado, maior é a hipótese de o sistema judicial “cooperar favoravelmente” com os suspeitos e garantir a sua liberdade. Tudo o resto parece não passar de encenação política.

Se suspendermos por momentos estes dois casos e passarmos aos que envolvem dólares, três casos servem de referência. Debruçar-nos-emos sobre eles no próximo capítulo desta história. Para já, basta um resumo.

Primeiro, há o caso do então assessor do presidente João Lourenço para os assuntos económicos, Carlos Panzo. Foi demitido em Outubro passado, uma semana depois da sua nomeação para o cargo. Recebeu comissões chorudas da Odebrecht na sua conta na Suíça. Dirigentes acima de si também receberam, conforme consta. Mas são todos uns canários livres.

Segundo, José Filomeno dos Santos “Zenú”, que deu um golpe de 500 milhões de dólares ao Banco Nacional de Angola, com autorização do então pai-presidente, José Eduardo dos Santos. Fê-lo em associação criminosa com o seu amigo e sócio Jorge Gaudens Pontes Sebastião. Os dois foram constituídos arguidos, assim como o então governador do BNA, Valter Filipe. Prisão preventiva? Nem pensar. O golpe foi em dólares, muitos dólares.

Terceiro, o caso do cheque falso de 50 mil milhões de dólares trazido por um tailandês, Raveeroj Rithchotean, que deu a volta à cabeça de altas figuras militares e policiais, assim como do porta-voz do MPLA, Norberto Garcia. Entre os detidos, para além da delegação de Raveeroj, estão a empresária Celeste Brito, que havia sido afastada pelos “tubarões”, e o tradutor/intérprete Christian Albano da Silva. Os arguidos relevantes, quer em termos da sua participação na fraude, quer em termos da sua importância política, como Norberto Garcia, mantêm-se em funções, como se nada tivesse acontecido. Voltaremos a esta questão.

Quarto, o vigarista do Jean-Claude Bastos de Morais, o amigo e “cérebro” de José Filomeno dos Santos “Zenú”, geriu os cinco mil milhões do Fundo Soberano para “benefício pessoal” conforme investigação da Unidade de Informação Financeira das Maurícias. As suas contas bancárias neste país, por onde transitava o dinheiro do fundo, foram congeladas.

Regressemos então aos dois casos dos kwanzas.

1. Administração Geral Tributária
Caso: Sonegação de impostos
Nome: Nickolas Gelber da Silva Neto
Cargo: Administrador (à data dos factos)
Suspeita: recebimento de comissão de 24 milhões de kwanzas (48 mil dólares)
Situação: em prisão preventiva há oito meses

A 10 de Outubro de 2017, Nickolas Neto, administrador da Administração Geral Tributária (AGT), foi detido por suspeita de recebimento de uma comissão no valor de 24 milhões de kwanzas.

Nickolas Neto é suspeito de ter autorizado a sonegação de impostos por parte da empresa de importação de medicamentos TECNIMED, que devia ao Estado angolano 581 milhões de kwanzas.

Através de um esquema de corrupção, os técnicos da AGT reduziram a dívida da TECNIMED de 581 milhões para apenas nove milhões de kwanzas, e esta saldou então a sua dívida aos cofres do Estado. Dos 572 milhões de kwanzas sonegados, esta empresa pagou 170 milhões aos referidos técnicos, de acordo com a acusação do Ministério Público. Por via deste esquema de corrupção, a TECNIMED locupletou-se de 402 milhões de kwanzas do Estado, tendo sido a maior beneficiária do golpe. Francisco Holo, técnico responsável pela verificação e autuação dos impostos devidos pela TECNIMED, e Miguel Panzo, seu superior hierárquico e à época director nacional para os Serviços Fiscais, encontram-se em fuga desde então.

Os principais sócios da TECNIMED são Amadeu Mendes Fernandes e Rui Alberto Rodrigues Coelho. Fazem ainda parte da estrutura accionista António Bastos Mendes, Ilda Maria da Costa Simões e Avelino Tavares Souto Alvarenga.

Fontes do Maka Angola indicam que o administrador da TECNIMED António Bastos Mendes foi constituído arguido, mas o seu caso ficou por aí.

De acordo com o Código Geral Tributário e a Lei dos Crimes Subjacentes ao Branqueamento de Capitais, as pessoas colectivas podem ser constituídas arguidas desde que (i) o acto tenha sido praticado por um membro dos órgãos sociais, por funcionários ou colaboradores, (ii) em nome da pessoa colectiva e (iii) em benefício da pessoa colectiva.

Este caso é uma clara demonstração de que a luta contra a corrupção encetada pela PGR e a informação que esta divulga são uma questão de escolha arbitrária sobre quem deve ser submetido ao rigor da lei e quem deve ser protegido pelo poder judicial.

Depois de várias alegações e petições submetidas pelos advogados, o Tribunal Provincial de Luanda condicionou a restituição do arguido à liberdade provisória mediante pagamento dos 24 milhões que alegadamente terá recebido. Feitos os pagamentos e emitidas as guias, o mesmo tribunal fechou-se em copas. O pedido de habeas corpus foi retido pela juíza ao longo de dois meses, tendo originado uma reclamação ao Tribunal Supremo.

2. Ministério das Finanças e Governo Provincial de Luanda
Caso: Desvio de sete mil milhões de kwanzas
Nome: Edson Augusto dos Santos Vaz
Cargo: Director Nacional do Tesouro (à data dos factos)
Nome: Stianeth Couceiro
Cargo: Funcionária sénior do Governo Provincial de Luanda (à data dos factos)
Situação: Liberdade condicional depois de seis meses em prisão preventiva
Data: 17 de Novembro de 2017

Os encontros nocturnos entre Archer Mangueira, ministro das Finanças, o general Higino Carneiro, governador de Luanda, e Edson Vaz ocorriam com alguma frequência no Ministério das Finanças, segundo fontes ligadas ao caso.

De acordo com as mesmas fontes, esses encontros causavam fricções com o então secretário do Tesouro, Mário do Nascimento, que era mantido à margem do esquema.

Funcionários do Ministério das Finanças indicam que as ordens de saque dos fundos desviados do GPL e sob a alçada do Tesouro (Ministério das Finanças) eram validadas por Higino Carneiro, sendo os pagamentos autorizados por Archer Mangueira.

Estes casos constituem um exemplo de como vai o combate à corrupção na era de João Lourenço. A mão da justiça continua a ser apenas para os mais fracos. Para os maiores corruptos, a justiça pia baixinho.
DIREITO Á VIDA , Á MEMÓRIA E TAMBEM A TODA VERDADE

Direito à vida, à memória e também a toda a verdade!

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Redacção F8 —

Quando ocorreu a tentativa de golpe de Estado de Nito Alves, a 27 de Maio de 1977, acabava de chegar à região militar 65, na província do Cunene. Esta província tinha a Norte, a província da Huila. A sul, a fronteira com a República da Namíbia, sob ocupação da África do Sul, com mandato das Nações Unidas. A Este, a do Cuando Cubango e a Oeste a do Namibe.

Por Alcides Sakala (*)

Dada a sua localização, a província do Cunene era estratégica, atravessada pelo rio Cunene e por vias terrestres importantes a partir da fronteira em direcção ao planalto central de Angola. Pela sua posição geoestratégica, a região e a província do Cunene em particular, encontravam-se já, nesse período, envolvida num ambiente de quase permanente tensão militar.

Era mais do que evidente o esforço das forças governamentais, coligadas com forças militares da SWAPO que procuravam desalojar a UNITA da orla fronteiriça do sul de Angola. Um território de grande importância para as unidades de guerrilha da UNITA que operavam no sul de Angola, nas províncias do Cuando-Cubango, Huila e Cunene.

Foi nesse ambiente de guerra que nos chegaram as noticias sobre a tentativa de golpe de estado que tinha ocorrido em Luanda, fruto do avolumar de contradições, algumas antagónicas no seio do MPLA e das FAPLA, resultantes de diversas questões mal resolvidas que remontavam ao período da luta colonial.

Dada a transversalidade brutal deste acontecimento, e para além da própria guerra civil, com todas as suas consequências no tecido humano angolano, entendo que o 27 de Maio de 1977 foi um dos acontecimentos mais dramáticos da história moderna do nosso país em que dezenas de milhares de angolanos foram barbaramente torturados e assassinados, sem julgamento absolutamente nenhum. Uma carnificina que teve a dimensão de um genocídio. A história assim registou.

Dalila Cabrita, uma historiadora portuguesa, no seu livro “Purga em Angola “, lançado em 2007, em Lisboa, Portugal, relata com rigor científico e profundidade histórica, as causas e os contornos dramáticos desta crise mais profunda que surgiu no seio do MPLA, dois anos depois da proclamação da independência nacional de Angola, ocorrida num contexto de guerra civil, proclamada pelo Presidente Agostinho Neto, em nome do Comité Central deste partido.

Violados que estavam pelo MPLA os Acordos de Alvor que previam a realização de eleições gerais e expulsa a FNLA e a UNITA da cidade de Luanda por forças cubanas e FAPLAS, com conluio do então governo português, constitui-se em Angola um regime minoritário, dirigido pelo Presidente Agostinho Neto, com apoio incondicional de Cuba e da União Soviética.

Neste período de desordem e incertezas, a resistência popular generalizada da UNITA espalhava-se pelo país, na base das linhas de força definidas no manifesto do Cuanza, um documento saído da reunião em que participamos, entre os dias 7 e 10 de Maio de 1977, na região de Sandona, no leste de Angola. Esta importante conferencia, a primeira depois do recuo estratégico das forças da UNITA das cidades, concluiu que estavam criadas as condições objectivas no nosso país que favoreciam a luta armada revolucionara de resistência popular generalizada, mas de natureza prolongada contra a dominação estrangeira, ou seja, contra todas as forças do social-imperialismo.

Neste ambiente de guerra declarada contra os patriotas angolanos, aumentava no país a presença militar cubana. Forças cubanas foram mandadas por Fidel de Castro a intervir nessa tentativa golpista. A intervenção cubana foi decisiva. Desequilibrou a balança a favor das forças governamentais. Relatos da época dizem “que tal aconteceu depois de Fidel de Castro ter falado com Agostinho Neto.”

Dalila Cabrita entrevistou vários sobreviventes desta hecatombe, entre intelectuais e ex-presos políticos que foram barbaramente torturados. Conta que os “participantes no 27 de Maio foram presos e torturados. Muitos foram sumariamente fuzilados, sem qualquer tipo de julgamento. Outros foram mandados para os campos de concentração onde acabaram por morrer. Também foi detida muita gente que pouco tinha a ver com os acontecimentos.”

Seguiu-se uma onda de ajuste de contas. Milhares de inocentes desapareceram. Perdi amigos e colegas da escola, no Huambo. 41 anos depois desta barbárie e através de muita literatura publicada ao longo de quatro décadas sobre este mesmo assunto, somos confrontados todos os dias com relatos escritos e falados de sobreviventes que nos dizem que muitos foram presos “porque possuíam bens que eram cobiçados, outros porque eram amigos ou familiares dos chamados fraccionistas.” Outros ainda foram presos “porque tinham criticado ou manifestado o seu descontentamento com a forma como as coisas corriam. Outros porque eram intelectuais ou estudantes, grupos sociais particularmente visados.”

A história registou os passivos acumulados durante décadas de conflitos cíclicos ocorridos em Angola, como também a gestão das crises mais profundas ocorridas no seio dos movimentos de libertação nacional. Entre estas, sobressai o 27 de Maio de 1977 pela brutalidade e pelo número de vítimas mortais, assassinados e desaparecidos, estimado por escritos existentes em mais 50 mil cidadãos angolanos, maioritariamente jovens intelectuais.

Que o nosso passado sirva de lição e os seus ensinamentos contribuam para a construção de um futuro de harmonia e de tolerância para uma sã coabitação entre os vários grupos étnicos linguísticos que compõem o mosaico social angolano. Para que tal nunca mais aconteça, é urgente a criação de um espaço da verdade onde cada cidadão possa exprimir livremente o que lhe passa pela alma, esclarecer os factos e as circunstancias que levaram a violação grave dos direitos humanos. Os sul-africanos brancos, negros e mestiços fizeram-nos com sucesso, como também no Brasil depois da ditadura militar.

A memória do 27 de Maio perdurará por séculos. A maior parte dos actores deste drama humano ainda vivem e a sua voz, fazendo “mea-culpa“ pode contribuir para sarar as feridas com muito sofrimento e contribuir para a reconciliação fraterna entre irmãos desavindos. Neste esforço ingente, a devolução dos restos mortais das vítimas dos massacres do 27 de Maio seja feita porque em África enquanto os familiares não enterrarem os seus mortos, o óbito nunca encerra.

(*) Membro da Direcção da UNITA
ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO MOVIMENTO DO PROTECTORADO

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO MOVIMENTO DO PROTECTORADO LUNDA TCHOKWE JOSÉ MATEUS ZECAMUTCHIMA NO DIA 27 DE FEVEREIRO CONDUZIDO POR FRANCISCO CABILA DIRECTOR DO JORNAL MANCHETE

Em Fevereiro do corrente ano, o malogrado Francisco Kabila então Director do Jornal Manchete conduziu pessoalmente a entrevista com o Presidente do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, José Mateus Zecamutchima no dia 27 e, na sequência da manifestação do dia 24 do mesmo mês.

O Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe traz a estampa esta matéria como homenagem aquela personalidade que deixou o mundo dos vivo muito cedo e o colectivo dos Jornalistas e Profissionais do Jornal Manchete.

A seguir a entrevista:

JORNAL MANCHETE (JM): - Como o Protectorado Lunda Tchokwe está a analisar os pronunciamentos do Presidente da República sobre as eleições Autárquicas em Angola?

José Mateus Zecamutchima (JMZ). - Primeiro agradecer o convite do Jornal Manchete e do senhor Jornalista, para esta entrevista, que consideramos importante neste momento histórico de Angola, depois de 43 anos da sua independência da colonização Portuguesa de mais de 493 anos. O momento é histórico pelo facto de, nos últimos 43 anos da governação do MPLA, não termos assistido alternância de poderes. O ano de 2017 pode ser considerado, na nossa pequena visão uma mudança de 180º no interior do MPLA e em Angola, pois uma luz no fundo do túnel vai acendendo e dar clareza a região escura do espaço.

O Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, pronunciou-se em Benguela sobre o gradualismo na realização das eleições Autárquicas em Angola antes de 2022, tudo bem, os Partidos e a Sociedade civil devem começar a trabalhar já, já, para o êxito do que se pretende. Para o Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, surge uma interrogação. Porque do gradualismo autárquico Angolano?

A ser assim, o governo esta a legalizar as assimetrias nas regiões que eles consideram não possuírem condições estruturais para tal, quem deveria criar essas condições? E qual é o horizonte para a criação das condições nas localidades que hoje não as tem? Ou seja, os pobres continuarão pobres e os ricos ficarão ainda mais ricos.

JORNAL MANCHETE (JM): - Será uma oportunidade para a organização que dirige participar delas no sentido de conseguir Autarcas?

Jose Mateus Zecamutchima (JMZ). - O Movimento do Protectorado surgiu para defender o direito de Autodeterminação do Estado Lunda Tchokwe, protectorado Português desde 1885 para cá, ou seja, o objectivo do nosso povo é a formação de governo próprio, assente nas raízes culturais e etnolinguistico do mosaico Tchokwe em toda a extensão territorial desde o Kuando Kubango, Moxico, Lunda Sul e Norte.

Quero esclarecer que, nós não somos uma província, mas sim um estado. Portanto a formação do Governo da Lunda Tchokwe é inclusiva com todas as forças políticas em Angola. Realizado este feito, estaríamos disponíveis internamente a realizar as eleições Autárquicas do Estado Lunda Tchokwe, foi isso que comunicamos ao Governo do MPLA desde 2012 quando entregamos o Estatuto para Autonomia daquele território como Escócia ao ex-presidente José Eduardo dos Santos. Temos que libertar o povo das garras da subjugação colonial e depois virar as baterias às questões meramente políticas administrativos como tal. A Escócia, a Catalunha, a Madeira entre outros Estados Autônomos no mundo democrático e de direito tem sim autarquias.

JORNAL MANCHETE (JM): - Será o consolidar dos vossos objectivos de longos anos, com vista à governação da região lunda Tchokwe?

JMZ. - A consolidação dos nossos objectivos virá primeiro no reconhecimento da Autonomia Lunda Tchokwe, da formação do governo próprio, do reconhecimento de que o Lunda tem capacidade de sua autogovernação, do respeito que devemos granjear no mundo inteiro, queremos que os outros nos vejam com o nosso orgulho, porque queremos ver atletas com a Bandeira Lunda Tchokwe nos eventos internacionais, nas instituições internacionais, lado a lado junto com a fraternidade angolana, é isto que se chama objectivos consolidados da governação, nada de subalternação ou subordinação que é bastante humilhação.

O Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe assume-se como uma organização “Nacionalista democrática”, defendemos um nacionalismo não-xenofóbica, compatível com valores de liberdade, tolerância, igualdade e direitos individuais, uma identidade nacional para os indivíduos a terem uma vida significativa e autônomo.

JORNAL MANCHETE (JM): - O Movimento do Protectorado luta pela autonomia da região Lunda, mas, as autarquias não seriam o remediar das coisas já que o Governo insiste em não abrir mãos as vossas Reivindicações?

JMZ. - Muito bem senhor Jornalista, o Governo do MPLA insiste em não abrir as mãos sobre a reivindicação do povo Lunda Tchokwe ao seu direito legitimo e natural, o mesmo fazia Portugal para com Angola, os nacionalistas angolanos no seio da luta de libertação eram chamados de “TURAS”, bandidos e que Angola era Província ultramarina de Portugal. Vejamos o que dizia a constituição de Portugal de 1826, citamos – “Em 1826 a constituição portuguesa confirma a colónia de Angola, no seu Artigo 2º – O seu território forma o Reino de Portugal e dos Algarves e compreende:

1.º - Na Europa, o Reino de Portugal, que se compõe das províncias do Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Reino do Algarve e das Ilhas Adjacentes, Madeira, Porto Santos e Açores.
2.º - Na Africa Ocidental, Bissau e Cacheu; na Costa da Mina, o Forte de S. João Baptista de Ajuda, Angola, Benguela e suas dependências, Cabinda e Malembo, as Ilhas de Cabo Verde, S.Tomé e Príncipe e suas dependências; na costa Oriental, Moçambique, Rio Sena, Sofala, Inhambane, Quelimane e as Ilhas de Cabo Delgado.

3.º- Na Ásia, Salsete, Berdez, Goa, Damão e os estabelecimentos de Macau e das Ilhas de Solar e Timor.
Artigo 3.º – A Nação (Portuguesa) não renuncia o direito, que tenha a qualquer porção de território nestas três partes do Mundo, compreendida no antecedente Artigo.
Quem governa hoje em Angola? Portugal ou os Angolanos foram mais de 493 anos de colonização. A ocupação angolana na Lunda tem simplesmente 43 anos.


JORNAL MANCHETE (JM): - Já agora, o Movimento que dirige vai ou não participar das eleições Autárquicas? Caso participe já tem em vista negociações com forças políticas para apoiar as vossas Candidaturas?

JMZ. - O Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe, não vai participar das eleições Autárquicas do Governo Angolano, seria traição ao nosso povo a quem juramos fidelidade a sua autodeterminação. O Movimento surgiu com objectivos claros, o da libertação do jugo colonial.

Temos transmitido essa nossa preocupação aos Líderes dos Partidos Políticos Angolanos nos encontros que tivemos com o Dr. Abel Chivukuvuku da CASA-CE, com o Dr. Isaias Samakuva da UNITA, com os Dirigentes do PRS Dr. Benedito Daniel, com a CEAST e com as Embaixadas dos Estados Unidos de America, França, Bélgica, Alemanha, Reino Unido, Portugal e algumas Africanas que não é necessário citar todos para não alargar a lista das individualidades e instituições que nos colocaram a mesma pergunta anteriormente.

JORNAL MANCHETE (JM): - Até onde vai a vossa luta sobre a autonomia da Região Lunda Tchokwe que compreende entre outros, os territórios das Lundas Sul e Norte, bem como o México e Kuando Kubango?

JMZ. - Senhor Jornalista, os Lundas de hoje, vencemos o mito da invencibilidade do regime angolano. Vencemos também a humilhação que se faz contra os quadros acadêmicos Lunda Tchokwe. O senhor João Lourenço, quando da entrevista dos 100 dias da sua investidura, dizia ele no caso Manuel Vicente com Portugal que Angola ia espera nem que passem anos, é isso que os Lundas vamos fazer continuar a luta como água mole que bate na pedra dura até finalmente furar.

A Revolução Cubana demorou 150 anos até alcançar a vitoria, a guerrilha Colombiana durou 50 anos, a Apartheid na Africa do Sul durou o tempo que todos conhecemos, mas foi vencido, pois nada perdura para sempre assim diz as “Sagradas Escrituras”. O MPLA dizia que ao inimigo nem um palmo da nossa terra, referindo-se a guerra civil angolana com a UNITA do Dr. Jonas Malheiro Savimbi, hoje a UNITA esta no governo e no Parlamento.

JORNAL MANCHETE (JM): - Mas os vossos membros estão a ser alvo de retaliação quando se manifestam em defesa da vossa causa...

JMZ. - O que o Governo do MPLA esta a fazer com os membros do Movimento do Protectorado Lunda Tchokwe não pode ser considerado como retaliação, ao contrário esta promover a nossa luta a ser conhecida no mundo. Hoje a um interesse maior na mídia nacional e internacional que já se despertou com o processo que a bem pouco tempo era desconhecido, graças ao que dizes retaliação.

Por outro lado, esse é o comportamento dos colonialistas e ditadores, sem duvidas, o MPLA esta com medo de perder o Reino Lunda Tchokwe, mas o caminho que escolheu ira necessariamente desembocar na Independência pelo crescimento do interesse da Comunidade Internacional. Pedimos uma coisa simples, não quer , pedimos dedo não quer, quando pedirmos o braço vai ter que dar.

JORNAL MANCHETE (JM): - Falemos um pouco sobre as últimas manifestações por voz realizadas na Lunda Norte e que perspectivas para os próximos dias, já que se fala na preparação de mais uma?

JMZ.- Sobre esta manifestação que o Governo do MPLA brutalmente violentou, devo dizer que o MPLA de José Eduardo dos Santos é igual ao MPLA de João Manuel Gonçalves Lourenço, sem diferença. Lamento, havíamos apelado ao nosso povo para boicotar as eleições em 2017, enganadas votaram na desgraça e o resulta é o que estamos assistir. Escrevemos no dia 15 de Janeiro e 1 de Fevereiro, ao Presidente e o Ministro do Interior respectivamente, anunciamos a realização desta manifestação nas rádios, online e nas redes sociais, distribuímos as copias das cartas aos Governos Provinciais e Municipais incluindo a Policia, a tirania angolana agiu como sempre, ignorou a própria constituição deles. Vamos continuar a escrever e a realizar nos próximos 60 ou 90 dias outra manifestação, o nosso povo esta consciente disso.

JORNAL MANCHETE (JM): - Falava se na possibilidade do Movimento do Protectorado se transformar em partido político, essa não seria a melhor forma de participação já que, eventualmente, teriam assento no Parlamento e lá apresentaram as vossas iniciativas sobre a alegada autonomia Territorial?

JMZ.- O Movimento do Protectorado é uma organização em luta pacifica em busca de autodeterminação do Reino Lunda Tchokwe, da consolidação do estado Lunda, não precisa de se transformar em um Partido Angolano e concorrer a Deputados para o Parlamento. Não somos políticos garimpeiros em busca de benefícios pessoais ou colectivos. A nossa luta é o nosso direito secular e natural.

O Reino Lunda Tchokwe – Kuando Kubango, Moxico, Lunda Sul e Norte, um país que terá um Parlamento e Partidos no seu interior onde se incluirá também o MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS, FNLA, BD etc., porque é que os Deputados de Cabinda tal como os vindos da Lunda presentemente na Assembléia Nacional não defendem as posições da FLEC e do Protectorado? Porque tem um regimento coercivo e um regulamento ditatorial que não permite opiniões diferentes de Deputados, quero lembrar nisso o livro Verde de Kadaffi da Libia.

JORNAL MANCHETE (JM): - O que o país ganharia com a autonomia por voz desejada há muitos Anos?

JMZ. - O desenvolvimento sustentável de Angola e o fim das famosas assimetrias regionais terão o seu fim definitivo com Autonomia Lunda Tchokwe. O ritmo do desenvolvimento que o Reino Lunda Tchokwe vai experimentar ira empregar os quadros angolanos que estão no desemprego, a competição no desenvolvimento interestadual dará impulso a que outra regiões se desenvolvam. O nascimento de novas cidades, novas estradas, novos aeroportos, portos secos, novas indústrias transformadoras e Extractivas, novas escolas e novas universidades, a valorização do cidadão nacional, o reconhecimento das competências dos quadros Lundas e os Angolanos será outra mais valia.

A cooperação precedida de investimentos internacionais para o arranque dos grandes projectos econômicos sociais Lunda Tchokwe empregará varias pessoas do quadrante Angola sem necessidade de recorrer à mão de obra da china, porque primeiro serão os angolanos, segundos os angolanos, terceiro os angolanos, quarto os angolanos e depois a mão de obra estrangeira, portanto há um cem ou mesmo milhões de opções ao desenvolvimento como Israel do deserto dos últimos 70 anos.

JORNAL MANCHETE (JM): - O Partido de Renovação Social, cujo bastião e o território que o Protectorado pretende que haja autonomia, não seria boa idéia se se juntassem e encontrasse um meio Termo?

JMZ. - O Partido de Renovação Social abreviadamente PRS, é um Partido legalizado de âmbito nacional que luta pelos Poderes da Republica de Angola, o facto de seus dirigentes serem filhos ou naturais Lunda Tchokwe não pode ser confundida com a defesa do Protectorado que é uma coisa diferente. O Protectorado defende simplesmente o Reino Lunda Tchokwe, não defende Angola no seu todo.

Nós não vamos formar Partido no contexto de Angola nem coligações, podemos sim ter convênios políticos tanto com o MPLA, a UNITA, a CASA-SE, o PRS, a FNLA, o BD ou outra força política Angolana para o alcance dos objectivos Lunda Tchokwe.

JORNAL MANCHETE (JM): - Acha que o Presidente João Lourenço, vai abrir mãos para a concretização dos vossos Anseios, sendo ele do MPLA a semelhança do seu Antecessor?

JMZ.- Senhor Jornalista, praticamente já respondi essa pergunta, contudo vou acrescentar alguma coisa que eu acho pertinente. O senhor João Manuel Gonçalves Lourenço é Vice Presidente do MPLA e membro do seu Bureau Político. João Manuel Gonçalves Lourenço não foi eleito no Congresso em Agosto de 2016 como Candidato a Cabeça de Lista do MPLA.

O senhor João Manuel Gonçalves Lourenço foi indicado pelo Eng.º José Eduardo dos Santos numa reunião do BP sem a presença dos militantes do MPLA, quisesse ele abrir mãos ao processo reivindicativo Lunda Tchokwe sem o consentimento de Jose Eduardo dos Santos, de momento é impensável. Outrossim, são as riqueza da Lunda que estão em jogo, quem fica com as minas de diamantes, a madeira, as florestas e as águas.

O processo Lunda Tchokwe tem estado a dividir o Bureau Político do MPLA, as Forças Armadas Angolanas, a Liderança da Policia Nacional e toda a elite governativa, tivesse João Manuel Gonçalves Lourenço a mesma coragem do Presidente Juan Manuel dos Santos da Colômbia.

JORNAL MANCHETE (JM): - Mas o Executivo liderado pelo MPLA desde 1975 continua a assegurar-se no protesto segundo o qual, Angola é una e indivisível.

JMZ.- O MPLA de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos defendeu sempre “um Só Povo e uma Só Nação”. Aqui não existe um povo único, fomos aldrabados ao longo dos 43 anos do MPLA no poder em Angola. A França é um só povo e uma só nação que fala Frances. Portugal é um só povo e uma só nação que fala Português.

A Rússia é um só povo e uma só nação que fala o russo. Angola é um só povo e uma só nação com etnias que falam as línguas Fiote, Kicongo, Kimbundo, Tchokwe, Nganguela, Umbundo, Kuanhama e Nhaneka humbe, etc, etc,. É possível definir este mosaico etnolinguistico e cultural angolano de um só povo e uma só nação?

Angola é una e indivisível o Reino Lunda Tchokwe também é uno e indivisível, tal como a Namíbia, Zâmbia, Moçambique, França, Portugal, Rússia, Itália ou Zimbábue. O MPLA usou esta formula para poder colonizar outros povos e Reinos no interior de Angola criada pelos Portugueses, por isso é uma terra criola cujo lideres duvidoso continuam a colonizar os outros.

JORNAL MANCHETE (JM): - Qual a vossa relação com as organizações de Cabinda que, contrariamente a vocês, querem a independência do Enclave?

JMZ.- Devo dizer que tanto Cabinda como o Reino Lunda Tchokwe, são Estados Independentes sob jugo colonial de Angola desde 1975. Cabinda e Lunda Tchokwe são Protectorado Português desde 1885 para cá, não foram revogados os termos dos tratados assinados com Portugal. Portugal e o seu povo, Partidos Políticos Portugueses classe acadêmica daquele país, todos eles estão consciente disso. As duas reivindicações têm razões de serem, Autonomia é também Independência basta irmos ao dicionário da Porto editor para definirmos a palavra Autonomia da palavra Independência.

O Protectorado Lunda Tchokwe tem boas relações com algumas individualidades da FLEC embora não existe algum convenio neste sentido. Temos encorajado os nossos irmãos Cabindas a levar a bom termo a reivindicação do Povo Cabindês a sua autodeterminação tal como o nosso povo o faz.

JORNAL MANCHETE (JM): - Para terminar, o que, o Presidente do Protectorado tem para dizer aos Angolanos e ao povo Lunda?

José Mateus Zecamutchima (JMZ).- Primeiro agradecer a solidariedade e o apoio que temos recebido pelos angolanos que nos têm encorajado e a muito tempo compreenderam a causa Lunda Tchokwe, alguma entidade da Sociedade civil angolana e organizações de defesa de direitos humanos, sem deixar de agradecer também os advogados e a mídia angolana bem como a estrangeira que tem levado o nosso clamor além fronteiras de Angola.

Ao povo Lunda Tchokwe pedimos apoio incondicional, a união de todos é a mãe da vitoria, a coesão das estruturas do movimento é importante neste momento em que o MPLA tudo esta a fazer para tentar dividir as pessoas em Ilhas e deitar abaixo o processo.

A luta pacifica através das manifestações vai continuar até alcançar a nossa autonomia. Chamar atenção as autoridades do poder tradicional e a igreja da Lunda sobre as mentiras do MPLA. Não é a esperança que da a vitoria, mas sim a persistência. Sempre juntos nesta caminhada.

Francisco Cabila, muito obrigado Sr Presidente, estamos juntos!
José Mateus Zecamutchima, muito obrigado mais uma vez!
24 Maio 2018
Ja rola no outro mundo a lista dos "moibis"
LISTA DOS ANGOLANOS QUE DEVEM REPATRIAR CAPITAIS
Por:#FreeMindFreeWorld.

A SEGUINTE LISTA DEVERÁ SER MELHORADA:

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