Um facto curioso, no mínimo, curioso
5 Novembro 2017
      
Recentemente assistia o habitual comentário de *Luís Marques Mendes* na SIC, quando comecei a pensar nisso, por causa de uma nota que aquele insigne comentarista deixou a respeito da eleição do primeiro-ministro da Áustria.

O mês de Outubro fica marcado pela entrada em cena de mais dois jovens para o auge da política, sendo um caso na Áustria e outro na Nova Zelândia.

No dia 15 daquele mês, *Sebastian Kurz*, com apenas *31 anos* de idade, ganhou as eleições legislativas na Áustria e tornou-se primeiro-ministro, por sinal o mais novo do mundo. Na Nova Zelândia, uma solução à moda “geringonça” de Portugal tornou *Jacinda Arden* na primeira-ministra daquele país com apenas *37 anos*.

Antes disso, havia já os recentes e notáveis registos de *Emmanuel Macron*, que tornou-se presidente da França aos *39 anos*, de *Matteo Renzi*, que tornou-se primeiro-ministro da Itália aos *39 anos* e de *Justin Trudeau*, que assumiu o mesmo cargo no Canadá com *43 anos* de idade.

É, no mínimo, curioso saber que em África (onde a esperança de vida é baixa, comparando com os outros continentes) os jovens não têm, em geral, sucesso no auge da política. No continente berço da humanidade, nossa _Mama África_, esse tipo de cargos é alcançado, em regra, por idosos! Como diz-se na gíria: _”não é para miúdos”_

Uma curta análise permitiu-nos verificar que no Japão, onde a esperança de vida é de quase 92 anos, o primeiro-ministro chegou ao poder com 52 anos. Em San Marino, onde a esperança de vida é 83 anos, a líder do país chegou ao poder com 29 anos. A Itália possui uma esperança de vida de 83 anos e o líder do governo chegou ao poder com 39 anos. A França tem esperança de vida de 82 anos, tal como o Canadá e a Áustria. Por último, a Nova Zelândia tem esperança de vida de 81 anos.

Parece ser clarividente que nos países com esperança de vida alta os jovens assumem o poder, ao contrário do que sucede no nosso continente. Por que razão se verifica isso? Será que os que chegam a esses cargos muito cedo fazem-no para poderem descansar quando chegarem à velhice? Não sei, só sei que é na velhice que em África os líderes atingem o auge da política (chefes de Estado e de Governo).

Falando em Africa, aproveito para apresentar alguns dados começando com o nosso país. Angola tem esperança de vida de 52 anos e o presidente tem 62 anos, idade com chegou ao poder. Essa mesma África, tem ainda Paul Biya com 82 anos na presidência dos Camarões (país onde a esperança de vida é de 61 anos) tendo chegado ao cargo com 49 anos. A esperança de vida no Zimbábue é de 54 anos e Robert Mubage já vai com 93 anos, tendo chegado ao cargo com 63 anos. Na Guiné Equatorial a esperança de vida é de 54 anos e o presidente, que chegou ao cargo com 37 anos, tem agora 75 anos.

Existem outros exemplos de líderes políticos jovens na América, Europa e até mesmo na Ásia, tal como existem em África mais nomes de políticos no poder há muito tempo e que chegam ao cargo com idade avançada. Podemos até dizer que chegam ao cargo já na velhice (idosos), uma vez que, de acordo com a OMS, é idosa toda a pessoa com 60 anos ou mais.

Parece que em África verifica-se uma inversão daquilo que seria a lógica, já que o facto de a esperança de vida ser bem mais baixa devia permitir a entrada em cena mais cedo para o auge da política.

É, no mínimo, curioso, para não dizer outra coisa.

_*Dilson Barros*_


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