Reflexão de domingo -Por Emanuel Malaquias
3 Dezembro 2017
      
Como em tudo na vida dos estados, em Angola a fase da euforia em torno das exonerações e nomeações protagonizadas por João Lourenço também vai passar. E os cidadãos, depois de uma breve ressaca, vão então começar a exigir medidas concretas, que contribuam para a resolução da vida de todos e de cada um.

Não é pecado, e é até compreensível, legítimo mesmo, que depois de uma tão profunda e intensa ditadura, de cerca de 42 anos, os angolanos se sintam de certa forma descomprimidos e esperançados numa Angola mais harmonizada, menos partidarizada e mais de acordo com os anseios de liberdade de todo um povo, em função de certos indicadores que resultam dessa reorganização da "máquina" governativa, que vem sendo levada a cabo por Jlo.

Mas, e não tenhamos ilusões acerca disso, o facto é que depois dessa quase "bebedeira" colectiva vamos ter que lidar com as realidades de um País sem dinheiro, com instituições fracas, recursos humanos com debilidades de formação, sem vias de comunicação, com projectos empresarias públicos megalómanos e de rentabilidade duvidosa, e com vícios estruturais de uma dimensão assustadora.

Perante essa realidade pensar-se que João Lourenço, apoiado ou não pelo MPLA, seja capaz de inverter um quadro tão complexo e complicado unilateralmente é um equívoco.

Vai precisar de partidos fortes na oposição, de uma sociedade civil organizada e atuante, e de cidadãos cada vez mais comprometidos com o País.

Os "conspiradores" de serviço, que meia volta auguram o fim deste ou daquele Partido político, e que acalentam secretamente o desejo de ver um único Partido a "comandar" os destinos de Angola, deviam rever essa sua forma de "pensar" o país...

Todos, com a nossa diversidade de pensamentos e acções, e com as nossas visões distintas sobre o país, somos poucos para levar a cabo a enorme "empreitada" de que Angola precisa, para se tornar finalmente num país bom para se viver...

Tenham todos um bom domingo!


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