Sócrates queria fazer de Portugal a sua quinta
3 Dezembro 2017
      
SÓCRATES: "QUERIA FAZER DE PORTUGAL A SUA QUINTA"

Quando Sócrates quis fazer uma quinta
Por Eduardo Dâmaso 80

Enquanto líder do PS e primeiro-ministro, Sócrates tinha um plano tentacular de limitação da liberdade de expressão e de concentração do poder político e económico. Estava à vista de todos os que queriam ver lá pelos idos de 2009.
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Muitos não quiseram ver em tempo real mas o plano era claro pelos idos de 2009. Sócrates, enquanto líder do PS e primeiro-ministro, tinha um plano tentacular de limitação da liberdade de expressão e de concentração do poder político e económico. Queria fazer de Portugal a sua quinta.
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Distribuiu os amigos pela banca, criou grupos económicos que viviam do Estado, meteu alguns a comprar títulos de comunicação social, comprou fidelidades dentro das redacções de jornais, deu o braço a Ricardo Salgado e utilizou o seu amigo Santos Silva a torto e a direito ( com os benefícios correspondentes para este), montou um exército de comentadores e opinadores, escolheu directores de jornais e televisões, procurou esmagar quem se lhe opusesse ou meramente discordasse da sua opinião.
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É com Sócrates que ocorrem mudanças de grande importância, seja pela privatização controlada seja pela consolidação do poder do Estado, em empresas como a EDP, Portugal Telecom, Cimpor, Estaleiros de Viana e tantas outras.
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Sócrates era o imperador a quem os capitalistas representados pelos gestores e facilitadores do regime (quase só advogados influentes e políticos na reforma) iam pedir batatinhas. Tudo isso ruiu mas não acabou com a queda de Sócrates. A hidra ainda tem cabeças muito activas e poderosas que manejam a opinião pública e alguns bastidores na Justiça, na política e nos negócios.
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O último episódio desse lamentável capítulo da História de Portugal ainda se está a escrever e teve um pequeno, mas significativo, desenvolvimento com a publicação recente, pelo jornal Sol, de escutas em que Sócrates aparece a insultar António Costa por não avançar para a liderança do PS contra Seguro, num dado momento, e por não aparecer em público a apoiar alguns dos seus maiores delírios.
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O maior deles é a sua inenarrável construção enquanto pensador e filósofo político, tendo a apresentação do livro com Lula da Silva ao lado como um dos momentos apologéticos.
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António Costa seguiu a estratégia certa ao imunizar o PS do efeito tóxico e letal produzido pela mitomania de Sócrates, o tal que julga afirmar a sua superioridade face ao resto do mundo quando dá umas declarações de rodapé ao New York Times.
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Se Costa não se tem distanciado de Sócrates e dos seus amigos, se não se tem defendido com unhas e dentes (e muita paciência) face aos ataques desferidos em plena campanha eleitoral, a história teria sido muito diferente. Desde logo, a sua derrota eleitoral teria sido esmagadora e jamais teria condições políticas para fazer o que fez.
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Sócrates nunca perceberá que, na política, não pode valer tudo e que há uma linha imposta pela decência que não se pode ultrapassar.
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A prova disso está no facto de querer, a todo o custo, impor um funcionamento e uma lógica de gangue ao PS, quer na contestação a António José Seguro quer na venda do seu apoio a Costa - e de mais uns quantos magarefes que andam a pulular pelas televisões. Isso rendeu-lhe poder na Justiça, com Pinto Monteiro na Procuradoria-Geral da República e Noronha do Nascimento no Supremo Tribunal mas, felizmente, falhou no PS porque Costa soube travá-lo.
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E isso é um serviço inestimável do actual líder do PS à democracia, mesmo não sendo acompanhado nele por algumas figuras do partido e da geringonça.


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