Lourenço, Mugabe, Lukoki e a Bicefalia
6 Dezembro 2017
      
Lourenço, Mugabe, Lukoki e a Bicefalia

O mês de Novembro tem sido rico e excitante no panorama político: O PR deu ao país sinais evidentes de que, no que toca a “corrigir o que está mal”, tem a sua própria agenda.

Mostrou que a “nossa galinha de ovos de ouro” afinal não é propriedade da família “presidencial”, pelo menos da antiga. O canal 2 da TPA também não. E os angolanos esperam que em breve ele mostre também que o OGE em geral também não pertence à família presidencial, nem à família política MPLA. Pertence à família angolana no seu conjunto.

Mostrou também que não teme os guardiões do templo no SIM e como pretende resolver o aparente diferendo entre chefia do Estado e liderança partidária: JLo não pretende partilhar os poderes constitucionais com quem detém poderes de líder de um partido político. Angola só tem um Chefe de Estado mesmo que ainda seja um Partido Estado. Se se mantiver nessa lógica, terá sempre a Constituição do seu lado. E aí surgiu a queda do ditador do Zimbabwe a dar um empurrãozinho e a criar um novo momento político que os militantes do Partido estado em Angola fariam bem em aproveitar.

O Partido estado Zanu-PF, utilizou o Exército para destituir o seu líder e, acto contínuo, a sua “bancada parlamentar” foi instruída a iniciar o processo de destituição do Chefe de Estado, Robert Mugabe.

Mugabe caiu, forçado a demitir-se. Foi constitucional (!?) Sim, caiu o tirano, mas não ainda a tirania. No lugar de Chefe de Estado será empossado um ex-vice presidente, alguém com um mau recorde no respeito aos direitos humanos e que havia sido “demitido por deslealdade, desrespeito e falsidade no seio do Partido”. Será constitucional?!

Ainda assim, a cidadania zimbabueana considera um mal menor, um alívio. Mas em rigor não é uma solução democrática nem constitucional. É o problema dos Partidos estados.

Angola deve estar muito atenta para que a bicefalia no seu Partido Estado não impeça o Chefe de Estado de prosseguir sem hesitações o seu programa (do Estado) de corrigir o que está mal nem prejudique o desenvolvimento do país. Digo Angola, porque a existência de partidos estados nos Estados democráticos constitucionais constitui um problema nacional, e não partidário. É um problema para cuja solução todos somos chamados a participar. É nosso problema!

O mais velho Lukoki lançou o repto. Muitos angolanos o apoiam. Eu o apoio!
Mihaela Webba


Angola-Connection.net