Ainda sobre a conferencia de imprensa de João Lourenço
9 Janeiro 2018
      
Do ponto de vista da definição não me parece muito acertado que se possa comparar uma conferência de imprensa a um combate tal como se faz com os debates.

Em princípio os jornalistas que são convidados para as conferências de imprensa não são adversários e muito menos inimigos do "conferente", nem haveria alguma razão para o serem enquanto mediadores (de preferência isentos) do espaço público que é a comunicação social, entre os protagonistas e a sociedade.

Por outro lado, quem convoca a conferência de imprensa fá-lo sempre com o propósito de dar a conhecer coisas novas ou de prestar todos os esclarecimentos sobre uma determinada situação ou acontecimento.

Não são pois os jornalistas que convocam conferências de imprensa nem estas se devem transformar num jogo do gato e do rato.

Se alguém convoca uma conferência de imprensa e depois tem a intenção de contornar as questões, fica difícil perceber para que é que organizou o encontro.

Se a sua intenção for mesmo só a de fazer "show off", por mais bem colocadas que sejam as perguntas o "conferente" acabará sempre por responder conforme bem lhe apetecer.

Dito isto e passando ao tema desta segunda-feira, temos de reconhecer que algumas das perguntas colocadas pecaram umas por serem vagas, outras por serem imprecisas, a tal ponto que JLo se deu ao luxo de fazer alguma pedagogia, respondendo pergunta com pergunta e depois dando ele próprio a resposta.

Também reconheço que muitos temas importantes/estruturantes foram trocados por outros menos importantes, o que também se compreende já que os jornalistas não têm qualquer possibilidade de combinar entre si os temas a abordar para evitar este tipo de desperdício.

Notei que uma das falhas desta conferência de imprensa, talvez por ser a primeira, foi não permitir que o jornalista tivesse pelo menos uma possibilidade de insistir com o intelocutor caso achasse que o mesmo não tinha respondido devidamente.

Por outro lado também nenhum jornalista reforçou alguma pergunta feita anteriormente por um outro colega e que carecia de um maior aprofundamento como foi o caso da resposta dada por JLo a pergunta sobre a exoneração de Isabel dos Santos.




Por : Reginaldo Silva


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