Saiba porque razão JES cumpriu apenas dos dois mandatos que lhe eram garantidos pela constituição
10 Janeiro 2018
      
SAIBA PORQUE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS(JES) CUMPRIU APENAS UM MANDATO, DOS DOIS QUE LHE ERAM GARANTIDOS PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA APROVADA em 2010

A aprovação de uma nova Constituição é uma “refundação” da república.
JES tinha 2 mandatos a contar de 2012. Não concorreu em 2017 por decisão própria. Porquê?
Porque quis ser o actor principal a sua própria saída da Presidência da República e participante activo na consolidação da democracia e do estado democrático de direito, que é e será de facto o seu maior legado, para além da conquista e da manutenção da PAZ efectiva em Angola e em várias países da região, no qual cada vez mais devem ser as instituições a fortalecerem-se e não mais vivermos dependentes de “homens fortes”.

Foi uma transição, ou transformação que JES começou a implementar no final dos anos 80, cuja execução teve de ultrapassar o desafio dos anos de guerra que o país viveu, a par da democratização que JES insistiu em continuar a implementar, ao mesmo tempo que, os então guerrilheiros que insistiam em combater nas matas, nunca deixaram de ter os seus assentos à disposição no Parlamento...

Esta sim é a verdadeira transformação e transição de varias etapas, que está a ser tão profunda e suave que leva tanto tempo e o comum cidadão nem percebe. Mas é irrefutável.

JES é especialista em transformar silenciosamente a realidade, com muita diplomacia, muita conciliação, muita mestria e serenidade, com passos pequenos, mas concretos, de modo a consolidar as transformações, preservando sempre o ambiente social e acautelando o máximo para evitar o surgimento de tensão social.

O país transformou-se radicalmente e para sempre desde 1989 até 2017 e essa verdadeira revolução pacífica e silenciosa, que resultou em grande evolução, é indelével e irreversível. Faz parte de uma estratégia e de uma visão de país, do MPLA liderado por José Eduardo dos Santos. É a sua obra mais nobre e profunda, para além da paz.

JES tirou o país da economia centralizada, (em que só o Estado podia ter bens móveis, imóveis e de toda a ordem), para a economia de mercado, na qual está garantida a aquisição de propriedade privada (mesmo a possibilidade de um cidadão hoje poder fazer uma escritura da casa própria, que não existia no tempo do partido único) e a livre iniciativa, permitindo o surgimento de empreendedores e empresários privados por toda a parte, em todo o país, etc.

JES transportou-nos do monopartidarismo (partido único) e ideologia de extrema-esquerda socialista ao multipartidarismo (democracia) e a uma ideologia mais moderada de centro-esquerda, mais adequada à realidade actual do mundo em geral. Gizou a estratégia que nos tirou da guerra e nos trouxe aos tempos de paz, com o perdão, fazendo concessões aos adversários políticos e juntando antigos inimigos em conflito armado num só exército.

Unificou as Forças Armadas, criou as FAA. Reuniu famílias. Uniu os angolanos advogando sempre o perdão e fazendo sucessivas concessões em negociações, porque saber ceder e fazer concessões, por vezes em prejuízo dos seus interesses, é uma característica dos fortes e dos sábios.

José Eduardo dos Santos nunca fechou portas ao diálogo e nunca negou o perdão. Amnistiou crimes, criando assim bases para um novo recomeço pacífico, saudável e irreversível.

Permitiu SIM a liberdade de expressão, inclusive aos jornais todas as semanas com calúnias e ofensas nas suas capas e estão abertos até hoje... os 15+2, entre outros, foram amnistiados durante o mandato de JES, para que uma vez mais houvesse bases para um novo diálogo social mais aberto, mais amplo e inclusivo e a busca de um novo caminho comum, de união entre angolanos em torno de um objectivo comum: a preservação da Paz e estabilidade social, progresso e desenvolvimento económico, cujas bases já foram lançadas, com maior destaque para o período entre 2002 e 2015 e mesmo até aos dias de hoje.

JES tirou a maioria dos angolanos do obscurantismo e analfabetismo (em 1975 haviam 44 licenciados em todo o território nacional, um dos quais era o próprio JES e mais de 90% da população eram analfabetos), e trouxe-nos a níveis de instrução muito mais elevados do que o esperado para o período de tempo que JES liderou Angola.

TODOS os licenciados no território de Angola desde 1975 até hoje, 2017, terminaram a sua formação superior sobre a presidência de José Eduardo dos Santos, pois o primeira outorga de diplomas de licenciatura pós independência aconteceu nos anos 80, tendo entre outros o actual Vice PR Bornito de Sousa, Pitra Neto, o Ministro Francisco Queiroz, a Professora Doutora Maria Luísa Abrantes, Professora Eliza Rangel, entre outros, sido os primeiros licenciados a terminar formação em Angola e são hoje alguns dos grandes mestres dos melhores professores de direito do país.

Há que suscitar um debate coerente com a estratégia de transformação da sociedade angolana, implementada por JES, que é muito mais do que o título redutor de “Arquitecto da Paz” que lhe é atribuído, “revolução” social pacífica e silenciosa esta que iniciou na altura da Perestroika (1989) e dura até hoje, sendo a fase actual a mudança de Presidente da República, mas que não terminou ainda por aqui, havendo outros passos ainda por implementar a outros níveis.

Toda a transformação deve ser gizada e vivida com zelo, com mestria, com ponderação e coerência.
Cabe-nos a nós angolanos reflectirmos de forma responsável e consequente, qual o melhor caminho para Angola, tendo em conta de onde vimos, para onde queremos ir, o que pretendemos alcançar como nação e a que preço...e indagarmos-nos sobre o que estamos dispostos a sacrificar por estas conquistas e o que é fundamental preservar.
É fundamental preservar a paz e a estabilidade social.

É fundamental que não haja retrocesso ao nível das liberdades individuais e da cultura de diálogo e de inclusão política e inserção social dos adversários a que JES nos habituou, em nome da manutenção da estabilidade que todos tanto prezamos e estimamos.

JES não é simplesmente o “Arquitecto da Paz”. JES é o grande transformador de almas e pessoas. É o grande transformador da Pátria angolana.

Motivos pelos quais sempre me debati dizendo que, José Eduardo do Santos, é merecedor do Prémio Nobel de Paz.
Feliz Natal e Boa reflexão em família.


Mingo Chico


Angola-Connection.net