MPLA Connection ( II ) João Lourenço não é nem nunca foi o herdeiro natural para presidir o MPLA
13 Fevereiro 2018
      
MPLA CONNECTION (II)
JO√ÉO LOUREN√áO N√ÉO √Č NEM NUNCA FOI O HERDEIRO NATURAL PARA PRESIDIR O MPLA

A inadequada eloquência verbal encontrada nos discursos musculados do vice-presidente do MPLA, são a prova comprovada de que o governante é parcialista e não compreendeu o cansaço que a imponência dos seus exaustivos discursos sem criatividade causa aos que o escutam.

Por outro lado, denota-se nos discursos uma elevada doze de incredulidade que de certo modo inviabilizam o prometido combate a corrupção e a igualdade de oportunidades e na aplicação da justiça igual para todos, debalde.

Essa questão obstaculiza a salutar convivência entre a elite governante e os governados expostos a todo tipo de sofrimento miserável e de pobreza descabida.

Governar o país não significa apenas exonerar inimigos e/ou adversários e de seguida nomear amigos próximos.
O que fará o PR auto-intitulado reformista para transformar a economia do país? Além de ter passado mais de 150 dias a defender o gangster corrupto Manuel Vicente, com quais instrumentos conta o PR para ajustar e fortalecer economicamente o país?

Pelos vistos, o presidente precisa urgente de um plano coeso para come√ßar a executar as prometidas reformas econ√≥micas. Cabe a cada um dos presidentes o da rep√ļblica e do MPLA, o papel fundamental para retirar o pa√≠s do estado de fal√™ncia econ√≥mica que se encontra. Jo√£o Louren√ßo tem de aprender e r√°pido a governar para todos como prometeu fazer.

Quanto ao presidente JES, cabe-lhe o papel fundamental de modernizar o MPLA, retira-lo da fossilização nauseabunda onde se encontra acostado. José Eduardo dos Santos é neste momento a pessoa certa para permanecer a frente do MPLA para afasta-lo do estigma de partido elitista e voltar a dar-lhe o cunho de partido de massas do passado.

Foi de uma estrema gravidade o PR permitir que o novo PGR Pitagróz ameaça-se e/ou tenta-se amordaçar a Maria Luísa Abrantes.

Se o presidente da rep√ļblica quer tanto perseguir gatunos e corruptos, ent√£o que comece dentro da cidade alta, por exemplo poder√° come√ßar por perseguir o director do seu gabinete, passar pelo seu secret√°rio econ√≥mico, pelo secretario dos assuntos produtivos e desaguar no ministro da casa de seguran√ßa. A√≠ sim daria sinais de verticalidade e amadurecimento pol√≠tico.

Todos cometemos erros, todos falhamos, sobretudo aqueles que como eu, deram inicio a constru√ß√£o da rep√ļblica popular de Angola. Ent√£o por qu√™ essa peregrina persegui√ß√£o contra os filhos da Maria Lu√≠saPerdig√£o Abrantes? O que esses filhos da nossa Angola fizeram que os outros filhos da elite n√£o fizeram?

Porque n√£o amnistia os prisioneiros pol√≠ticos e de consci√™ncia injustamente atirados para as masmorras da ditadura. Como por exemplo o crist√£o ‚ÄúKALUPETECA‚ÄĚ cidad√£o humilde e pobre.

A forma violenta como foram desarreigados dos seus negócios, nem mesmo os seus direitos empresariais foram respeitados. Tem razão a dra. Milucha Abrantes, e fez muito bem abrir a boca no momento certo para defender os seus filhos.

Caso essa mulher valente n√£o partisse para luta em defesa dos filhos quem o faria?

João Lourenço e o seu PGR não têm o direito de ameaçar a mãe dos filhos de JES, se quiserem começar uma caça as bruxas comecem dentro do palácio não aqui fora. Não lutamos para que se repita o que aconteceu no passado recente, vamos com humildade trabalhar por uma verdadeira paz social em harmonia.

Tanto ódio para quê?

Todos erramos e roubáramos o que é de todo povo, incluindo o próprio PR e o PGR. Querem agora criar bodes expiatórios para justificar o recurso a uma ambicionada purga só para o PR e sua entourage alcançar popularidade mixuruca?

Afinal querem mudar o país para pior e coloca-lo em desordem social? Que razão está por baixo dessa tão dedicada caça as bruxas? Ameaçar e/ou tentar calar a cidadã a Milucha, foi no mínimo um perigoso exercício de estupidez delirante e um doloroso tiro mo pé do PGR e de quem lhe deu ordens. Vamos trabalhar e melhorar a vida do nosso sofrido povo.

Por essa e por outras é que o MPLA se enfraquece a cada vez mais, por outro lado, os injustiçados estão incondicionalmente ao lado dessa mulher valente. O governo de João Lourenço é de facto a extensão do anterior em todas as suas vertentes.

Quem quiser ser presidente do MPLA tem de ir a votos, os ‚ÄúLOURENCISTAS‚ÄĚ querem a presid√™ncia do MPLA, a solu√ß√£o √© JL irem a votos.

N√£o existe unanimidade nos partidos pol√≠ticos, o MPLA n√£o √© excep√ß√£o a regra. N√£o existe unidade de pensamento no interior da milit√Ęncia do MPLA e muito menos no corpo expedicion√°rio da oligarquia impositora do regime segregacionista. Por assim dizer, Jo√£o Louren√ßo n√£o √© nem poderia ser a √ļnica escolha para dirigir o partido.

Nunca fiz pol√≠tica por encomenda, t√£o pouco meu comportamento obedece a qualquer esp√©cie de seguidismo pol√≠tico cego e irrespons√°vel. Por√©m, a minha posi√ß√£o desta vez √© clar√≠ssima, enquanto militante do MPLA, estou ao lado da corrente que segue o ex-presidente da rep√ļblica e actual presidente do partido Jos√© Eduardo dos santos.

A razão é que os seguidores de João Lourenço nunca encararam positivamente o debate político como o caminho a seguir. Sempre se comportaram como ratazanas oportunistas, nunca abriram a boca para manifestar qualquer opinião contra as arbitrariedades impostas pelo regime.

Todos quantos desejarem concorrer a presidência do partido poderão fazê-lo em liberdade e em sã consciência.
N√£o me oponho a predisposi√ß√£o do novo inquilino da cidade alta desejar liderar o MPLA. Essa vontade √© legitima, s√≥ n√£o deve ser t√£o levianamente exig√≠vel. Nem dever√° pensar que √© o herdeiro natural do trono s√≥ por ter sido colocado por JES e Kopelipa na presid√™ncia da rep√ļblica.

Pensar que √© o candidato de toda a milit√Ęncia seria o mesmo que insinuar que somos todos dementes. Em primeiro lugar √© que no MPLA cada cabe√ßa √© uma senten√ßa, segundo lugar, n√£o existe nenhum deficit de quadros com capacidade de comandar capazmente o MPLA e leva-lo a bom porto.

Sempre se mantiveram caladinhos e obedientes a merc√™ da vontade do ditador, agora aparecem como pav√Ķes alvora√ßados em arautos defensores da democratiza√ß√£o do pa√≠s.

Jamais fui preparado como expert para discutir pessoas ou cargos, a minha praticabilidade sempre se baseou em discutir ideias e em apoiar projectos estruturais, sobretudo, discutir modelos de governa√ß√£o vi√°veis, que respeitem a com clareza a administra√ß√£o coerente da coisa publica. Isso significa dizer que √© preciso que o povo participe em liberdade nas discuss√Ķes econ√≥micas do pa√≠s

Portanto, para mim JES n√£o √© mais o principal entrave da governa√ß√£o que o precisa para sair da clausura f√ļnebre em que se encontra, N√£o h√° mais nenhuma necessidade de se combater o presidente do MPLA nem se lhe pode assacar responsabilidades id√™nticas as que no passado recente provocou tamanho sofrimento ao povo.

Os que acreditaram que João Lourenço seria a promessa de renovação do sistema político-económico encontram-se expectantes.

Certamente perceberam o engodo em que se meteram e entenderam que n√£o haver√° altera√ß√£o melhorada nenhuma na condu√ß√£o do xadrez pol√≠tico econ√≥mico e social. Aqueles que sonhavam com uma nova Angola est√£o decepcionados pois o chefe do executivo decidiu defender os corruptos, coisa que n√£o foi escrutinada nas elei√ß√Ķes de Agosto.
Por exemplo, a Angola profunda n√£o esta representada no governo do presidente lobitanga.

Com João Lourenço o país encolheu e ficou mais pequeno. O governo ficou desconfigurado descabidamente, e está sem tecnocratas de reconhecida craveira, também não possui nenhuma representatividade política fora do celeiro da corrupção.

At√© o MPLA ficou mais pequenino com a presid√™ncia de Jo√£o Louren√ßo. a As escolhas para forma√ß√£o do governo s√£o da inteira e exclusiva responsabilidade do presidente da rep√ļblica. Por√©m, acredito que seria bem-vinda tentar utilizar outras alternativas com quadros experimentados da nossa pra√ßa pol√≠tico-econ√≥mica, deste modo ajudariam a retirar o pa√≠s da enrascada em que MPLA o colocou.

Infelizmente em Angola a democracia não é a regra, mas, a excepção.

O estado de direito não funciona onde não se respeitam as liberdades de expressão, de ir e vir e de manifestação publica. Hoje a integridade e a inteligência do cidadão em Angolano tem sido constantemente estuprada violentamente pelo poder carrancudo emanado do autoritarismo do regime, que insiste em não se renovar.

Isso demonstra que filosofia autorit√°ria e a cultura totalit√°ria continua a cultivar a intoler√Ęncia, a mentira eloquente continua activa e actuante na divulga√ß√£o da publicidade falsa, com o firme prop√≥sito de enganar o maior n√ļmero de pessoas distra√≠das.

Não sou e nem nunca fui LOURENCIANO e não faço questão nenhuma em sê-lo, do mesmo modo que nunca fui JESSEANISTA.
Sou apenas um humilde cristão que é também militante do MPLA há 43 anos, disso não abro mão.

Esse sentimento l√ļgubre que define a bajula√ß√£o como o caminho mais r√°pido de ascender a um lugar ao sol sem qualquer esfor√ßo, n√£o √© mais bem-vindo. Essa √© a formula errada de se chegar ao p√≥lio e por isso tem de ser definitivamente banida.

Quando JES foi automaticamente conduzido ao cargo de em Presidente da rep√ļblica e do partido ao tempo do MPLA/Partido do Trabalho, pertence a era de partido √ļnico. Seria uma tremenda imprud√™ncia continuar a alimentar levianamente a milit√Ęncia com deslavadas incongru√™ncias, n√£o se pode perpetuar o erro nem continuar a conduzir erradamente o partido.

Camaradas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Ningu√©m pode chegar a presid√™ncia do partido sen√£o pela via eleitoral, e n√£o vale mais a farsa de candidato √ļnico, o confucionismo elaborado tem de terminar no MPLA.





Por : Raul Diniz


Angola-Connection.net