Merecemos respeito e consideração por partes das Instituições públicas.
15 Março 2018
      
Tanta burocracia para nada: "Reconhecimento/Homologação de Estudos Feitos em Angola

Peço desculpas, mas a minha consciência cívica não me permite aceitar a sujeição e a humilhação a que são colocados os quadros angolanos.


Não podemos aceitar, nem que nos peçam sentido de Estado, como é apanágio dos que são políticos, a obrigação de todos os cidadãos que se tenham formado no País (na República de Angola) submeterem os seus certificados e/ou declaração de fim de curso à homologação do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior – INAAREES, com representação exclusiva na província de Luanda.


Não podemos aceitar impavidamente e de bom grado a sujeição e humilhação, sim humilhação! a que somos colocados, chegar ao local de atendimento e ter-se de colocar o nome na lista, aguardar por uma ficha de atendimento, ficar horas a fio em pé aguardando pela chamada do número constante na sua senha ou para os que a condição física não permite, sentar-se num bloco de cimento ou apoiar-se num pilar, tentando a todo custo manter a dignidade e a compostura de licenciado.


Não me atrevo a mencionar a condição de inúmeros jovens e pessoas de idade que se prestaram a ir para a escola adquirir conhecimentos técnico-profissionais nas Universidades e Institutos públicos e privados para participarem no desenvolvimento do País e, no final da sua formação serem obrigados a percorrer longos e longos quilómetros até à província de Luanda para ver reconhecido/homologado o seu certificado ou declaração de fim de curso.


Sem contar, com a distância com que ficam os serviços associados, como o posto das finanças para pagamento dos emolumentos cobrados para a emissão do certificado e a precariedade da reprografia com uma técnica a manejar inocentemente a única máquina fotocopiadora sob o olhar revoltante dos utentes que aguardam embaraçadamente pela sua vez.

Merecemos respeito e consideração por partes das Instituições públicas.


Angola é uma res publica e um estado de direito, os seus órgãos velam pelos interesses da colectividade, tutelam os desprovidos de meios, facilitam a inserção e integração dos marginalizados, pelo que não se compreende burocratizarem excessiva e despropositadamente o processo de reconhecimento da formação académica feita no país, e porque as Universidade e os Institutos superiores são submetidos a um exaustivo processo de reconhecimento e os cursos por estes administrados passam igualmente por um processo de legalização junto do agora Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Senhores governantes, sejam sensatos;

Não podem, após o processo de reconhecimento da instituição, avaliação do conteúdo programático e legalização dos cursos exigirem, num processo individual, o reconhecimento dos Certificados e Declarações emitidos por estas Instituições.

Vamos respeitar e considerar os quadros nacionais, vamos valorizar e dar crédito às nossas Instituições, não podemos sujeitar os nossos licenciados àquelas humilhantes condições, levando-os a perder horas produtivas em filas de espera para obter um (simples) documento.

O documento não pode custar mais que a necessidade de produção e desenvolvimento do País, mais que a urgência em resolver os problemas que afectam a população.

Podemos mudar o rumo do País, sim, quando compreendermos que a formação é o principal factor de integração das pessoas na sociedade e elementar factor de geração de riqueza.
Digamos basta, deixemos de brincar de Estado."
Por: Salvador Ramos.


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