As reacções a dita Batalha do Kuito Kuanavale
2 Abril 2018
      
Depois do colonialismo português, Angola só tem conhecido maus momentos com intervalos de pequenos laivos de bons momentos que não têm deixado marcas de progresso, porque a construção de um país não são as casas, estradas, barragens, etc. A construção de um país é a construção das pessoas desse país, pessoas que depois vão construir boas estradas, boas casas, boas barragens, boas escolas, bons hospitais e não obras descartáveis filhas da corrupção.

As marcas que persistem em Angola são as marcas de uma minoria rica e uma maioria pobre, de uma maioria de adultos sem ensino secundário, de muitos milhares de adolescentes fora do sistema de ensino, de muita mortalidade infantil, dadas as deficientes condições de saúde pública o que também provoca neste grupo social nível de longevidade baixo cuja média se situa nos 40 anos.

De uma maioria do povo angolano que não tem acesso a muitos bens e serviços públicos, com estradas asfaltadas em mau estado e as estradas secundárias que facilitariam o povo a evacuar seus bens produzidos no campo, quase inexistentes.

A maioria do povo angolano não tem certeza e segurança do direito e a observância da lei e a ordem pública deixam muito a desejar. Os angolanos vivem diariamente com a corrupção praticada pelas autoridades e com o conluio de políticos da oposição, etc.

Esta sina foi prevista pela profecia colonialista que dizia: “o dia que vocês angolanos tomarem conta disso vão se matar e transformar Angola num Kongo”. Infelizmente isto está pior que o Kongo porque a consciência da nossa pátria nascente que é a classe média, é uma classe regionalista, nacionalista internacionalista, racista, nacionalista conservadora, corrupta, intelectualmente emocional, deixando-se levar pela classe dominante.

A UNITA de Mwangay e outras forças políticas que foram a esperança desta maioria oprimida têm vindo a se desviar do rumo de seus fundamentos pela intromissão de dirigentes que se aproximaram a classe dominante e se deixaram corromper. Muitos deles compraram casas no exterior como Paris, Portugal, Londres, Joannesburgo e Cidade do Cabo enquanto a claque de bajuladores que os sustentam no domínio dos feudos políticos estabelecidos recebem as migalhas de benesses através de mandatos como deputados, como comissários da CNE e outras, enquanto o povo vai sossobrando na pobreza.

Quando alguns desta claque de bajuladores dizem que devia-se lavar a roupa suja internamente, levam as pessoas a dúvidar do que temos vindo a dizer por desconhecerem a luta interna que temos levado a cabo desde 2008 aos nossos dias. As pessoas desconhecem por que em 2011 deixei de ser Secretário Geral da UNITA. Desconhecem que em 2012, produzi um documento interno sobre o debate do Scol que caiu em saco roto. Desconhecem que em 2015 e 1018 recorri ao Conselho Nacional de Jurisdição denunciando os desvios no seio da direcção e nada feito, mas sempre que se tratou de outras pessoas houve sanções publicitadas de sunpensões e expulsões. Sempre que se fazem alguns debates internos a claque de bajuladores transforma as boas intenções em assassinato político, podem me dizer o que aconteceu com Fernando Heitor e outros no passado e recentemente comigo? De que debate interno as claques de bajuladores estão a falar, o debate das vaias?

Antes de tudo sou angolano que ama Angola e os angolanos. Por isso, vou continuar a denunciar públicamente essas más práticas no seio dos partidos políticos para as pessoas as conhecerem. Os partidos políticos são instituições de direito público (a divisão entre o direito público e direito privado está perdendo força) e não instituições secretas e opacas sobre as quais as pessoas que as alimentam com seus impostos nada sabem, mas a serem obrigadas apenas ao direito do voto que não tem tido nenhuma consequência nas suas vidas. Do outro lado, se alguém não o fizer hoje, muito brevemente seremos surpreendidos com o surgimento de outros corruptos ditadores a chegarem ao topo da magistratura nacional.

As denúncias que faço no caso de descabidas, os dirigentes que cito têm o direito de defesa junto de instiuições internas (como o Conselho Nacional de Jurisdição na UNITA) ou instituições nacionais (como os tribunais). Até lá a luta vai continuar e só juntos é que poderemos corrigir o desvio introduzido na UNITA pelo samakuvismo.

Luanda, 31 de Março de 2018
Abílio Kamalata Numa


Angola-Connection.net