RNA : Quem tem medo de falar de um passado recente ?
6 Outubro 2018
      
RNA: QUEM TEM MEDO DE FALAR DE UM PASSADO RECENTE?

Por ocasião de mais um aniversário da RNA, a estação de rádio estatal tem a vindo a falar de si, assim como a entrevistar uma série de quadros da casa, alguns dos quais testemunharam o nascimento e crescimento da antiga Emissora Oficial de Angola (EOA).

Até chegar aos nossos dias, a RNA percorreu um longo e espinhoso caminho, com sucessos e desaires de permeio. Mesmo antes da independência nacional, ela jogou um papel importante na mobilização da luta do MPLA contra os antigos adversários/inimigos internos e externos, os chamados agentes da reacção. Foi uma arma eficaz na derrota psicológica dos adversários políticos de então.

Depois da independência, a RNA, apesar de ser uma rádio cuja manutenção foi sempre assegurada pelo dinheiro dos contribuintes, continuou durante quase meio século a servir os interesses do partido no poder, assemelhando-se a uma caixa de ressonância desta formação política.

Esteve presente na cobertura de vários acontecimentos importantes nacionais e estrangeiros, mas quase sem nunca despir-se da sua veia partidária.

Ela produziu quadros de reconhecido nível, muitos dos quais têm estado a servir com sucesso as mais distintas rádios comerciais. Durante os 38 anos de governação de JES, esta rádio, à semelhança do resto da imprensa estatal, ocultou muitos assuntos incómodos à «democracia Orientada e Disciplinada».

Em nome da censura e da auto censura foi um dos pilares que sustentou a chamada «lei da rolha»
Nesta hora de balanço, seria de bom-tom e sem receio de falar do passado que, afinal, faz também parte da sua história que a RNA reconhecesse publicamente que a aparente abertura que hoje regista resultou da «Revolução Laurencista», iniciada a 26 de Setembro de 2017. Não fosse, a mudança hoje a rádio não ousaria divulgar alguns acontecimentos contrários aos interesses partidários.


Quem tem medo de falar desse passado, ou, por outra, pretende enaltecer apenas os aspectos positivos e mandar para o «caixote da história» este período cinzento que a rádio mais audível do país viveu?






Por : Ilidio Manuel Manuel


Angola-Connection.net