Academia Angolana de Letras Contra Ratificação do Acordo Ortográfico
11 Outubro 2018
      
Academia Angolana de Letras Contra Ratificação do Acordo Ortográfico

A Academia Angolana de Letras (AAL) manifesta-se contra ratificação do acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, por parte do Estado angolano.

Apesar da relevância da Língua Portuguesa como língua oficial e de escolaridade, em Angola, em coexistência com as Línguas Nacionais, a organização, na de um dos seus membros, Filipe Zau, que falava durante uma conferência de imprensa, diz ser necessário ter em conta a contribuição da origem da língua Bantu para a edificação da própria língua portuguesa e a importância das línguas nacionais como factor de identidade nacional, bem como da coexistência entre todas elas.

A academia considera que a escrita de vocábulos, cujos étimos provenham de línguas Bantu, se faça em conformidade com as normas da ortografia dessas línguas, mesmo quando o texto está escrito em língua portuguesa.

A Academia Angolana de Letras considera a necessidade de o acordo ortográfico ser objecto de uma ampla discussão com concurso de todos os estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em concertação com as instituições de formação, de investigação e de promoção literária da língua portuguesa.
A organização destaca igualmente que se deve estabelecer formas concretas de cooperação entre a Língua Portuguesa e as Línguas Nacionais, nos domínios da investigação e da sua valorização, tal como está consagrado nos Estatutos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A Academia Angolana de Letras (AAL) considera imprescindível que se estabeleça, por parte dos Estados membros da CPLP, um período determinado para análise, discussão e concertação de ideias à volta deste assunto, a fim de se encontrar um denominador comum que permita harmonizar a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) em todo o espaço comunitário, onde se enquadra Angola.

Entre as suas recomendações, a AAL considera essencial que o Estado invista em ensino de qualidade, quer em Língua Portuguesa, quer em Línguas Nacionais, como contribuição para a preservação dessas línguas e como factor de progresso económico e sócio-cultural.
Lusa/Sapo Estudante


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